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Diário de Bordo

Este é o diário de bordo da oficina realizada na Fundação de Educação Artística às quintas-feiras, de 26 de fevereiro a 09 de abril de 2026. Este projeto é realizado por meio do Edital 12/2024 da Política Nacional Aldir Blanc.

26 de fevereiro de 2026

Demos início à oficina. Começamos com um momento de acolhimento e reconhecimento do grupo. Organizamos uma roda de apresentação, na qual cada participante pôde compartilhar brevemente seu nome, trajetória e relação com a música. Desde o início, ficou evidente a diversidade do grupo, tanto em termos de idade quanto de experiências musicais e de vida, o que aponta para um campo fértil de trocas ao longo do processo.

Depois do primeiro contato, fizemos um breve exercício de mobilização e soltura corporal e realizamos alguns jogos coletivos para iniciar a interação e promover a ativação da escuta, da atenção e da prontidão. As dinâmicas criaram um ambiente de confiança e disponibilidade, elementos fundamentais para o trabalho com soundpainting. Nesse momento, foi possível perceber as diferentes formas de se relacionar com o grupo. 

Em seguida, iniciamos a introdução ao soundpainting a partir de alguns sinais básicos, priorizando, nesse momento, uma abordagem intuitiva em vez de uma apresentação formal da sintaxe. A proposta foi experimentar antes de nomear ou sistematizar, permitindo que o grupo construísse sentido a partir da prática.

Trabalhamos primeiro com a voz, para que todo o grupo pudesse incorporar os sinais sem a mediação do instrumento. Depois, passamos para os instrumentos, sempre trabalhando com o grupo todo e favorecendo respostas sonoras simples. Assim, exploramos contrastes, entradas e interrupções, sempre enfatizando a escuta coletiva e a relação com os sinais. Ao longo dessa experimentação, foi possível observar o aumento de um estado de atenção compartilhada, aspecto central na prática do soundpainting.

Esse primeiro encontro cumpriu o papel de instaurar um espaço de escuta, experimentação e convivência, estabelecendo as bases para o desenvolvimento do trabalho nas próximas semanas.

Sinais trabalhados neste dia:

  • Grupo todo​

  • Nota longa

  • Hits

  • Scanning (varredura)

  • Volume

  • Play (começar)

  • Off (parar)

  • Começar nos próximos 5 segundos

  • Parar nos próximos 5 segundos

05 de março de 2026

Iniciamos o encontro com os exercícios de mobilização corporal e de atenção, retomando a prática de ativação do corpo, da prontidão e da escuta. Em função da presença de participantes que não estiveram no primeiro encontro, foi realizada uma detalhada rememoração dos sinais já apresentados no primeiro encontro e os conceitos básicos do soundpainting.

Mantivemos a abordagem intuitiva, permitindo que o grupo experimentasse os sinais antes de nomeá-los e sistematizá-los formalmente. Nesse encontro, já começamos a enfatizar a distinção entre preparação e ação, delimitando com clareza o momento inicial da sinalização, em que o soundpainter sinaliza uma proposta (preparação) e o momento seguinte, em que a proposta é efetivamente levada a cabo (ação). 

Dedicamos atenção especial à precisão nas respostas do grupo, tanto no aspecto temporal — garantindo ataques e cortes claros — quanto na observância ao conteúdo musical dos sinais propostos. Introduzimos também alguns elementos mais complexos, como os “hits” sobre notas longas, desafiando o grupo a lidar com sobreposições de camadas sonoras.

Ao longo do encontro, foi possível perceber um interesse crescente do grupo pelos desafios propostos e uma atenção focada à escuta coletiva. O clima permaneceu de experimentação e curiosidade, consolidando o trabalho iniciado no primeiro encontro e preparando o grupo para abordagens mais estruturadas nos próximos encontros.

Sinais trabalhados neste dia:

  • Grupo todo​

  • Cordas

  • Madeiras

  • Metais

  • Percussão

  • Eletrônicos

  • Nota longa

  • Hits

  • Minimalism (ostinato)

  • Scanning (varredura)

  • Congelar

  • Volume

  • Play (começar)

  • Off (parar)

  • Começar nos próximos 5 segundos

  • Parar nos próximos 5 segundos

12 de março de 2026

Nosso terceiro encontro começou também com exercícios de mobilização corporal, seguidos de jogos voltados ao desenvolvimento da escuta e da atenção, retomando práticas já presentes nos dias anteriores e reforçando a disponibilidade do grupo para o trabalho coletivo.

Em seguida, realizamos uma rememoração ativa dos sinais trabalhados até então. Organizados em roda, os sinais já trabalhados foram apresentados e nomeados um a um e repetidos por todo o grupo. Esse momento permitiu não apenas revisar o repertório já construído, mas também ajustar a gesticulação do grupo quando necessário, além de esclarecer dúvidas relacionadas aos sinais e seus significados.

Ao longo dessa retomada, foi introduzida a noção de sintaxe do soundpainting, a partir da sequência “quem, quê, como, quando”, oferecendo ao grupo uma primeira sistematização mais explícita do que vinha sendo experimentado de forma intuitiva até então. Também foi reforçada a ideia da “caixa” como delimitadora entre os momentos de preparação e de ação, aspecto que já vinha sendo trabalhado na prática e que, nesse momento, ganha maior clareza conceitual.

Depois, passamos à prática, iniciando com sinais já conhecidos pelo grupo e avançando gradualmente para combinações de sinais e conceitos mais complexos. Esse movimento permitiu consolidar o aprendizado anterior ao mesmo tempo em que ampliava as possibilidades de construção sonora coletiva.

O encontro marcou uma transição importante entre a experimentação mais intuitiva e uma compreensão mais estruturada da linguagem, sempre mantendo o foco na escuta, na atenção e na relação entre os participantes.

Sinais trabalhados neste dia:

  • Grupo todo​

  • Cordas

  • Madeiras

  • Metais

  • Você

  • Percussão

  • Continuar

  • Nota longa

  • Hits

  • Minimalism (ostinato)

  • Scanning (varredura)

  • Congelar

  • Volume

  • Play (começar)

  • Off (parar)

  • Começar nos próximos 5 segundos

  • Parar nos próximos 5 segundos

  • Mudar

  • Voltar (para o que estava fazendo antes)

  • Com

  • Pontilhismo

19 de março de 2026

Iniciamos o encontro, mais uma vez, com exercícios de mobilização corporal, retomando práticas já incorporadas pelo grupo e reforçando o estado de atenção, prontidão e escuta coletiva. Ainda organizados em roda, realizamos uma recapitulação dos sinais já trabalhados, com todos os participantes executando-os. Esse momento permitiu não apenas revisar o repertório construído até então, mas também realizar e ajustes, contribuindo para maior clareza e precisão na comunicação.

Na sequência, realizamos cerca de quinze minutos de prática contínua, na qual foram exercitados diversos sinais e conceitos já apresentados nos encontros anteriores. Esse período funcionou como uma consolidação do material, favorecendo a articulação entre os elementos trabalhados e fortalecendo a segurança do grupo na execução das propostas.

Após essa prática, os participantes que desejassem foram convidados a ir à frente do grupo para experimentar a função de soundpainter. Antes de iniciarem, foram feitas algumas recomendações, como a utilização de poucos sinais no início — selecionando dois ou três “quês” para explorar —, a atenção à estrutura da sintaxe (“quem, quê, como, quando”), a clareza e a calma na execução dos gestos, além da importância de sustentar uma relação contínua de escuta com o grupo.

A cada participante que assumia a condução, eram feitos comentários e devolutivas com o objetivo de orientar a prática, destacar aspectos que estavam funcionando e apontar caminhos de aprimoramento, sempre buscando fortalecer a compreensão da linguagem e a segurança na condução.

As principais dificuldades observadas estiveram relacionadas ao uso consistente da sintaxe completa, com recorrentes esquecimentos sobretudo dos elementos “quem” e “quando”. Também se mostrou desafiador articular novas propostas enquanto o grupo ainda executava ações anteriores, exigindo dos participantes uma escuta ampliada e capacidade de processar múltiplas informações simultâneas. A clareza na apresentação dos sinais e a precisão nas entradas e cortes também apareceram como pontos a serem desenvolvidos.

Além dos aspectos técnicos, a experiência de estar à frente do grupo revelou-se um fator significativo. Para alguns participantes, esse lugar trouxe ansiedade e nervosismo, especialmente diante do volume de informação sonora produzido pelo grupo ou quando as idéias não se organizavam com clareza no momento da condução.

Ainda assim, a proposta foi recebida de forma muito positiva, e todos os participantes demonstraram interesse e envolvimento com a experiência. Ficou evidente, nas falas e nas observações do grupo, a percepção de uma diferença marcante entre atuar como musicista dentro do coletivo e assumir a função de soundpainter, o que contribuiu para ampliar a compreensão sobre a complexidade e as exigências de cada papel dentro da prática.

No encerramento do encontro, realizamos ainda um novo momento de prática coletiva, no qual foram retomados, consolidados e também ampliados alguns dos conceitos trabalhados ao longo da aula. Essa etapa final permitiu ao grupo integrar as experiências vividas, reforçando a compreensão da linguagem e promovendo maior fluidez na articulação entre os diferentes elementos do soundpainting.

Sinais trabalhados neste dia:

  • Grupo todo​

  • Cordas

  • Madeiras

  • Metais

  • Percussão

  • Eletrônicos

  • Você

  • Nota longa

  • Hits

  • Minimalism (ostinato)

  • Scanning (varredura)

  • Congelar

  • Volume

  • Play (começar)

  • Off (parar)

  • Começar nos próximos 5 segundos

  • Parar nos próximos 5 segundos

  • Continuar

  • Mudar

  • Voltar (para o que estava fazendo antes)

  • Com

  • Pontilhismo

  • Densidade

26 de março de 2026

Iniciamos o encontro organizados em roda, com uma rememoração dos sinais já trabalhados: cada participante apresentava um sinal, enquanto o restante do grupo o nomeava. Percorremos a roda sequencialmente dando várias voltas, até se esgotarem os sinais que o grupo conhecia. Essa dinâmica permitiu não apenas revisar o repertório construído até então, mas também identificar pontos que ainda demandavam maior clareza, sobretudo em relação a conceitos mais complexos. Sempre que necessário, foram realizados ajustes na gesticulação e esclarecimentos conceituais, contribuindo para maior precisão na comunicação.

Na sequência, seguimos aprofundando os elementos da linguagem, com foco especial na qualidade da compreensão e da resposta do grupo às propostas realizadas. O trabalho buscou refinar a relação entre sinal e ação, bem como a percepção do grupo a respeito do resultado sonoro geral, promovendo um aguçamento da escuta e uma melhora na execução coletiva.

Dedicamos atenção particular ao desenvolvimento da escuta coletiva por meio de exercícios que exploravam os contrastes de densidade com o uso do  “more space fader”. Essas práticas exigiram do grupo uma escuta mais sensível, favorecendo a percepção das relações entre os diferentes materiais produzidos. Foi possível observar uma resposta mais qualificada em relação a esse tipo de proposta, embora o grupo ainda esteja em processo de assimilação das especificidades da escuta e da construção sonora no contexto do soundpainting.

Ao longo do encontro, alguns participantes se dispuseram novamente a experimentar a função de soundpainter. Em comparação ao encontro anterior, foi possível perceber maior segurança por parte daqueles que assumiram a condução, ainda que o grupo, como um todo, siga em processo de compreensão e adaptação a essa função. 

O encontro transcorreu em um clima positivo, com boa disponibilidade e engajamento do grupo. De modo geral, foi possível perceber um avanço na consolidação dos sinais e um movimento de refinamento na escuta, na clareza das propostas e na qualidade das respostas coletivas, aspectos que seguem sendo aprofundados nos próximos encontros.

Sinais trabalhados neste dia:

  • Grupo todo​

  • Cordas

  • Madeiras

  • Metais

  • Percussão

  • Eletrônicos

  • Você

  • Nota longa

  • Hits

  • Minimalism (ostinato)

  • Scanning (varredura)

  • Congelar

  • Volume

  • Play (começar)

  • Off (parar)

  • Começar nos próximos 5 segundos

  • Parar nos próximos 5 segundos

  • Continuar

  • Mudar

  • Voltar (para o que estava fazendo antes)

  • Com

  • Pontilhismo

  • Densidade

  • Salpicar

02 de abril de 2026

O sexto encontro aconteceu em véspera de feriado e foi marcado por um número baixo de participantes. Além das ausências, dois dos presentes não haviam participado do encontro anterior, o que demandou uma reorganização da proposta inicialmente prevista. Assim, o encontro teve um caráter de recapitulação e nivelamento do grupo. Iniciamos com uma retomada dos sinais já trabalhados, estabelecendo referências comuns para que todos os participantes pudessem acompanhar o desenvolvimento da prática. Esse momento envolveu tanto a revisão dos aspectos gestuais quanto o esclarecimento de dúvidas conceituais, com especial atenção à sintaxe e à clareza na relação entre sinal e resposta sonora.

Ao longo do encontro, mantivemos a ênfase na prática, explorando combinações de sinais e reforçando elementos fundamentais como a escuta coletiva, a precisão nas entradas e cortes e a compreensão das propostas realizadas. A configuração reduzida do grupo favoreceu um ambiente mais concentrado, permitindo um acompanhamento mais próximo das respostas individuais e coletivas.

Participantes que ainda não haviam experimentado a função de soundpainter foram convidados a assumir a condução, numa vivência contribuiu para ampliar a experiência do grupo, dando a todo o grupo a oportunidade de ocupar esse lugar ao menos uma vez ao longo do processo. Como nos encontros anteriores, a prática foi acompanhada de observações e devolutivas, com o objetivo de orientar e fortalecer a compreensão da linguagem e a realização consistente das propostas musicais.

Apesar das circunstâncias, o encontro foi produtivo e cumpriu um papel de consolidação e alinhamento do grupo. Esse movimento contribuiu para preparar os participantes para o último encontro, dando maior coesão e segurança na prática coletiva.

Sinais trabalhados neste dia:

  • Grupo todo​

  • Cordas

  • Madeiras

  • Metais

  • Percussão

  • Eletrônicos

  • Você

  • Nota longa

  • Hits

  • Minimalism (ostinato)

  • Scanning (varredura)

  • Congelar

  • Volume

  • Play (começar)

  • Off (parar)

  • Começar nos próximos 5 segundos

  • Parar nos próximos 5 segundos

  • Continuar

  • Mudar

  • Voltar (para o que estava fazendo antes)

  • Com

  • Pontilhismo

  • Densidade

  • Salpicar

09 de abril de 2026

No último encontro da oficina, contamos novamente com a presença do coordenador pedagógico da Fundação de Educação Artística, Marcelo Chiaretti. Iniciamos o encontro com os tradicionais exercícios de mobilização corporal e de atenção, retomando práticas já incorporadas pelo grupo.

Em seguida, realizamos, em roda, uma rememoração dos sinais, revisando e consolidando o repertório construído ao longo da oficina. Esse momento também serviu para ajustes finos na gesticulação e esclarecimento de dúvidas, reforçando sempre a clareza e a precisão.

Depois, dedicamos algum tempo à prática livre, com foco em criações mais estruturadas e de maior duração. O objetivo foi permitir que os participantes aplicassem de forma integrada os conhecimentos adquiridos ao longo da vivência, articulando sinais, respostas coletivas e a sintaxe do soundpainting em contextos mais complexos e prolongados.

Durante o encontro, os participantes tiveram ainda a oportunidade de atuar mais uma vez como soundpainters. Nesse momento, ficou evidente o desenvolvimento em relação aos encontros anteriores: todos demonstraram maior familiaridade com a sintaxe, mais segurança e tranquilidade ao conduzir o grupo e uma escuta coletiva mais refinada. Esse avanço tornou a experiência de condução mais fluida e colaborativa, evidenciando a consolidação do aprendizado.

Encerramos a oficina com uma última prática, mais extensa, que funcionou como fechamento do processo. Essa etapa final permitiu ao grupo integrar todas as experiências vivenciadas, consolidando tanto o repertório de sinais quanto a capacidade de execução coletiva, celebrando o percurso e os progressos alcançados ao longo dos sete encontros.

Os participantes manifestaram o interesse em continuar e aprofundar o trabalho com o soundpainting, de modo que aventamos a possibilidade de constituir um grupo de estudos permanente.

Sinais trabalhados neste dia:

  • Grupo todo​

  • Cordas

  • Madeiras

  • Metais

  • Percussão

  • Eletrônicos

  • Você

  • Nota longa

  • Hits

  • Minimalism (ostinato)

  • Scanning (varredura)

  • Congelar

  • Volume

  • Play (começar)

  • Off (parar)

  • Começar nos próximos 5 segundos

  • Parar nos próximos 5 segundos

  • Continuar

  • Mudar

  • Voltar (para o que estava fazendo antes)

  • Com

  • Pontilhismo

  • Densidade

  • Salpicar

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